Os Valores de Abril<br> para a luta de Maio
As comemorações do 25 de Abril assumiram nestes dias uma dimensão extraordinária, seguramente uma das maiores de sempre. Foram milhares de grandes e pequenas acções, institucionais e populares, manifestações de massas em Lisboa, no Porto e em muitas localidades, inumeráveis acções de dimensão e natureza diversa, política, cultural, desportiva, de convívio, do Movimento Sindical Unitário, do movimento popular, de estruturas unitárias de democratas e patriotas, do PCP e da CDU, em todos os cantos do País e na emigração.
A grande maioria dos portugueses identifica-se com Abril
Participaram centenas de milhares de pessoas, comprovando a identificação com Abril da grande maioria dos portugueses, ao fim de todos estes anos de subversão e mistificação do seu real significado e dos seus valores. Por isso, mais do que o número de participantes, importa relevar que, na maioria das iniciativas, os trabalhadores e democratas intervieram para afirmar os valores de Abril, em rotura com este Governo e com as políticas de direita, de ajuste de contas com as conquistas da Revolução e de recuperação do poder económico e político pelos que o perderam no processo revolucionário – os monopólios associados ao imperialismo e o que resta dos latifúndios.
Pese embora a esmagadora operação de manipulação mediática e de mistificação desencadeada pelo grande capital e seus serviçais em torno do 25 de Abril, provavelmente também das maiores de sempre, a dimensão e conteúdo das comemorações do quadragésimo aniversário da Revolução antifascista constitui uma importante vitória da luta dos trabalhadores e do povo, que dá sustentação às condições favoráveis para as batalhas políticas mais próximas e para continuar estas comemorações e afirmar os valores de Abril no futuro de Portugal.
Abril e a batalha ideológica
Expressão do duro conflito de classes que se trava em Portugal, entre o capital financeiro apátrida, o directório europeu e o imperialismo, mais a troika do «arco» do roubo e desastre nacional e os trabalhadores e sectores não monopolistas, os comunistas e outros democratas e patriotas, teve lugar, no plano político e ideológico, a referida operação de mistificação, uma lista nunca vista de iniciativas, cerimónias e programas para manipular o real significado da Revolução de Abril.
Nessas iniciativas, em vez de um processo de 48 anos de resistência, até à crise do fascismo, ao levantamento militar e popular e ao avanço do processo revolucionário contra os interesses das classes parasitárias (raiz do fascismo), a Revolução de Abril foi travestida numa mera operação militar de 24 horas, cujos protagonistas mediatizados não são expressão da luta antifascista e do seu amadurecimento, mas uma espécie de super-heróis de filme de série B, que tudo resolveram naquela data.
Nesses programas, em vez de resultante da luta operária e popular, da organização do Partido e da unidade antifascista, da coragem dos comunistas, nas fábricas, nos campos, nas escolas, nas Forças Armadas, eis que a Revolução foi parida no livro dum inenarrável general fascistoide, no trânsito para a social-democracia e o «amigo americano» dos «democratas do venha a nós», ou na «vernissage» MRPP dos herdeiros da grande burguesia, em percurso para (re)assumir a tutela do capital sobre o poder político.
Nessas cerimónias, em vez de um processo de transformações e conquistas, decididas na luta de massas, em mobilizações, batalhas e barricadas contra o golpismo, eis que, afinal, a Revolução, a reforma agrária, as nacionalizações, a Constituição, tudo se resolveu ou proibiu em telefonemas entre Otelo, Mário Soares, Carlucci e mais uns tantos mandaretes dos «mercados».
Foi assim que o grande capital e os seus serventuários caluniaram Abril. Mas mais ainda, mistificaram o presente e o futuro, no brutal silenciamento do PCP e da luta do povo, nas aldrabices do PSD/CDS de que o País está melhor, nas falsas promessas de «mudança» do PS, nas lágrimas de crocodilo do PR Cavaco sobre os custos sociais da política criminosa de que é co-autor, nas manhosices de certos militares do «são todos iguais», para branquear o PS, na mentira de esconder o que de mais progressista se firmou no processo da Revolução de Abril.
Os valores de Abril em Maio
Este é o momento de levar à luta imediata e ao futuro de Portugal a vitória das comemorações dos quarenta anos de Abril, de afirmar no 1.º de Maio e na luta dos trabalhadores e do povo os Valores de Abril contra o empobrecimento, a exploração e o desastre nacional, de alargar a luta por uma alternativa patriótica e de esquerda, de selar nas eleições de 25 de Maio, pelo reforço do PCP e da CDU, a derrota do Governo e do 24 de Abril, por um Portugal de Abril, soberano e progressista.